tecnologias educacionais

A EDUCAÇÃO E A INFORMÁTICA


*Maria Lucila de Oliveira Chultes
*Iracema Nalin

Resumo: Esse artigo procura enfatizar a importância do uso da tecnologia como elemento fundamental no processo ensino-aprendizagem e também do papel do professor como mediador desse processo.


Palavras-chave: informática, prática pedagógica, professor.
1-Introdução:

Vivemos numa sociedade tecnológica, onde a maioria de seus segmentos estão informatizados. O computador trouxe uma nova dinâmica ao cenário mundial, possibilitando o fazer, o executar, o encurtar distâncias e facilitando a comunicação. As transformações estão ocorrendo tão rápido que muitas vezes não conseguimos alcançar a capacidade de nos transformar também.
A escola faz parte dessa sociedade, mas é um dos segmentos menos adepto a transformações. Porém, para poder acompanhar esse desenvolvimento acelerado, ela deve se instrumentalizar de recursos tecnológicos ou ficará à margem desse processo. A inclusão da escola nessa revolução da informação possibilitará a inserção de alunos e professores nessa nova era permitindo-lhes o acesso às informações e tecnologias.

2-Reflexões sobre a introdução da informática no cenário educacional.

Há algumas décadas a informática vem sendo gradativamente inserida no cenário educacional, primeiramente nos meios acadêmicos e há alguns anos nas demais modalidades de ensino. E neste cenário deve ser pensada como uma possibilidade de
_
*-_Alunas do pós-graduação em Informática na educação e coordenadoras de LIEF do município de Canoas.






fortalecer e potencializar novas idéias que possam transformar a escola num espaço de socialização de conhecimento.
Infelizmente, nessa trajetória, muitas escolas começaram a se utilizar da informática, para dar ares de modernidade e valorizar a instituição. Na maioria das vezes, a prática nessas aulas vem reforçar antigas teorias onde o computador é visto como mais um recurso áudio-visual, como a televisão, o vídeo-cassete, o aparelho de DVD, ou seja, uma visão computadorizada dos métodos tradicionais de ensino.
Para Sthall, “o uso do computador está obrigando a repensar como se realiza a aquisição do conhecimento, e a tratar o processo ensino-aprendizagem numa abordagem na qual os alunos exploram e integram conhecimento” (p.1991.p.5)
Dentro de uma visão construcionista o computador deveria ser utilizado para provocar mudanças pedagógicas em grande escala e não ser utilizado apenas como forma de mostrar o domínio do professor e aluno sobre a tecnologia. A utilização da informática na educação deve significar que o aluno irá aprender com o apoio do computador, e tanto professor como aluno irão aprender a explorá-lo e utilizar ambientes que enfatizem a aprendizagem, onde haja interação, cooperação, reflexão sobre a ação, que faça com que o aluno desenvolva o raciocínio. O trabalho da informática na educação deve ser o de ajudar o aluno a refletir e a se questionar diante do grande número de informações que lhe são apresentadas, organizando-as de forma que consiga compreendê-las.
Muitas são as dúvidas sobre a eficácia da informática na educação, como forma de real construção da aprendizagem, mas tudo depende de quem faz e de como faz alguma coisa. A simples presença do computador nos meios escolares não garante a melhoria da qualidade do ensino, nem produz milagres, pois ele é uma máquina e depende do uso que se faz dele, a qualidade das respostas que se espera. Não adianta usá-lo em substituição do caderno ou caneta, ou seja, continuar com velhas práticas com uma roupagem moderna. Assim, é necessário entender, que o professor precisa ter um novo olhar, tanto sobre educação como sobre informática, envolvendo novas formas de ensinar e de aprender que tenham como base as teorias de construção do conhecimento.






De acordo com Jonassem apud Lopes (2003), há quatro formas de aprendizagem com uso do computador: ”Aprender a partir da tecnologia, aprender a cerca da tecnologia, aprender através da tecnologia e aprender com a tecnologia”.
No primeiro caso, aprender a partir da tecnologia, significa que o professor vai ser o detentor do conhecimento e o aluno vai aprender o conteúdo apresentado no computador. Uma visão de educação baseada em velhos paradigmas. No segundo caso, aprender a cerca da tecnologia, o foco da aprendizagem será a informática, ou seja, aprender sobre ela. No terceiro exemplo, aprender através da tecnologia, o aluno irá programar o computador. E, no último exemplo, essas tecnologias serão ferramentas para uma construção do conhecimento. O professor não trará tudo pronto, os conhecimentos serão construídos a partir da reflexão sobre a ação.

3- A formação do professor:

Segundo Tijiboy e colaboradores, em Aprendizagens cooperativas em ambientes telemáticos:
Considerando que as futuras gerações precisarão cada vez mais de uma educação continuada, devido as rápidas transformações sociais e tecnológicas, deve-se realizar esforços para a formação de cidadãos frente a um contexto tão rico e sempre mutante de informações, capazes de serem ativos, críticos e criativos e que utilizem as novas tecnologias de comunicação de forma interativa, colaborativa e cooperativa visando uma sociedade mais humanizada. (l999, p.28).


A formação do professor também tem de ser ampla e alicerçada em teorias de aprendizagem de novos paradigmas de aprendizagem, pois se ensinar é complexo e exige capacitação, ensinar usando informática exige um cuidado maior ainda. No momento em que o professor que trabalha com informática nas escolas adquire consciência do papel pedagógico de sua ação, diminui então, a distância entre educação









e a informática , garantindo, ainda, que o professor não perca ainda mais seu espaço já tão invadido. Essa formação e consciência é que irá “fazer a diferença”, ou do contrário, qualquer pessoa com formação técnica na área, poderá dar aulas de informática na escola. O professor, para desempenhar esse papel, precisa além de formação, ter experiência em sala de aula, conhecimento das diferentes teorias do conhecimento, conhecer a proposta político pedagógica da sua escola ou das secretarias de educação que sua escola faz parte e pensar numa prática que contemple um pensamento sobre informática e educação, dentro de novos paradigmas de educação.Seu
trabalho se norteará por um processo de construção entre alunos e professor, num ambiente de cooperação, colaboração e interação. Essa postura cooperativa permitirá que seus alunos cresçam em consciência social, através das trocas e conflitos sócio-cognitivos, aprendendo a respeitar a opinião do outro, tolerando diferenças, tomando decisões dentro do grupo, visando alcançar objetivos comuns, através de ações conjuntas, construindo uma inteligência coletiva. Assim, valorizado e sentindo-se parte integrante do grupo e do trabalho realizado, o aluno se sentirá responsável pela sua aprendizagem e pela aprendizagem do grupo. (Tijiboy).

4-Conclusão:
A informática na educação pode ser considerada um processo histórico irreversível. A escola não pode ficar apartada desse processo ou cada vez mais se distanciará do aluno. As ferramentas educacionais deverão possibilitar aprendizagens por descoberta para culminar numa melhoria da qualidade de ensino.




















Referências bibliográficas:

Lopes, José Junio. A Introdução da Informática no Ambiente Escolar (artigo).
-2003 JoséJunio@clubedoprofessor.com.br- josejunio@gmail.com

Tijiboy, Ana Vilma e colaboradores. A aprendizagem cooperativa em ambientes telemáticos, 05/1999.
Sthal, Marimar M. Ambientes de Ensino-Aprendizagem Computadorizada. RJ. COP. UFRJ, 1991.